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CÚPULA DOS POVOS – O coração da COP30

Cúpula dos Povos se tornou o “coração global"

Parte 2

Enquanto a Zonas Azul e, também, em determinados momentos, a Zona Verde foram consideradas o “cérebro da COP30”, a Cúpula dos Povos se tornou o “coração global” do evento. Esse espaço para a sociedade civil contou com mais de 1.100 organismos nacionais e internacionais (mais de 70 países), no período de 12 a 16 de novembro, na Universidade Federal do Pará (UFPA) e em outros locais da capital da capital paraense.

Diariamente, milhares de pessoas encontraram-se em auditórios e tendas com suas bandeiras, faixas, camisetas e em grandes grupos organizados para participarem de exposições de projetos, reivindicações e propostas para o enfrentamento coletivo, justo e democrático da sociedade diante da realidade climática em que vive o planeta.

Os principais eixos da Cúpula dos Povos foram: 1- Água, território e soberania dos povos; 2- Justiça Climática; 3Transição justa, popular e inclusiva; 4Protagonismo de juventudes, crianças, adolescentes, mulheres e diversidades LGBTQIAPN+.

As manifestações dos participantes com música, dança e muitos “gritos de guerra”, demonstraram que as organizações populares estão unidas para resistir ao império do capitalismo que prevalece e mantém uma casta privilegiada da sociedade com mordomias extravagantes, enquanto a maioria sofre com o modelo perverso e excludente do lucro, que literalmente apaga a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo.

Os temas abordados na programação da Cúpula dos Povos reafirmaram a existência de realidades de extrema vulnerabilidade e afronta à vida, em todos os continentes. Por isso, houve o clamor para sair da reflexão para a ação. Uma das propostas foi a criação de redes continentais e mundiais que possam enfrentar os modelos políticos que privilegiam sistemas econômicos que devastam a natureza e trazem consequências catastróficas para os povos.

Alguns temas das mesas de discussões foram:

-As Infâncias;  -Tribunal em defesa dos corpos e territórios das mulheres e diversidades sexuais;  -Água e agroecologia: Diálogos com os territórios nas perspectivas de ações das mitigações as emergências climáticas; -Contrapoder e defesa dos territórios em face do racismo fundiário e das ameaças ao direito à terra e território pelas falsas soluções à crise climática; -Crise Climática e Direitos da Natureza: Desafios para o Bem Viver; -Territórios em Resistência: O direito à consulta e consentimento contra o Mercado Climático e as Falsas Soluções; -Função social da terra e destinação de áreas coletivas; -A Igreja e o futuro do Clima: Reparações, Jubileu e o Diálogo Global, Resistência; -Sem Rodeios: Enfrentando o Extrativismo Fóssil e o Poder das Transnacionais; -Transição energética e a interseccional idade de gênero, raça, classe e território; -A Sociedade Civil, os Movimentos Socioambientais, Sindicais E Comunidades Tradicionais podem Virar O Jogo Da Crise Climática? – Como Mudar o Sistema e não o Clima!; -Diálogo “Mulheres Negras e a COP30”; -Crise climática e injustiça hídrica: alternativas para enfrentar o desmatamento, os incêndios e a morte das águas; – IA, clima e mineração – por que isso nos interessa; -Feminismo Popular, Antirracista e Anticolonial; Entre tantos outros temas importantes.

Ao final da Cúpula dos Povos, 16/11/2025, houve uma Audiência Pública, na Universidade Federal do Pará (UFPA) e, em seguida, a celebração de encerramento que contou com a presença do Presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago; a CEO da COP30, Ana Toni;  a Ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva; a Ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara; do Ministro-chefe da Secretária-geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; além de representantes de organizações nacionais, internacionais e amazônicas.

A Declaração Final da Cúpula dos Povos foi entregue ao embaixador Lago. O conteúdo expressou a indignação frente aos projetos que devastam o ecossistema – a vida em todas as suas manifestações. “O documento afirma que o modo de produção capitalista é a raiz da atual emergência climática e denuncia a atuação de corporações transnacionais, especialmente mineradoras, petrolíferas, agronegócio, indústrias bélicas e Big Techs”. (https://jesuitasbrasil.org.br/cupula-dos-povos-encerra-com-recordes-e-entrega-declaracao-politica-contundente-a-cop30/)

Um grupo de crianças e adolescentes, representando as juventudes do mundo, fez a leitura da Carta das Infâncias, com muita firmeza e emoção. Um dos principais trechos da Carta: “SENTIMOS TRISTEZA QUANDO VEMOS: Árvores caindo, fumaça das queimadas, rios com lixo, animais sofrendo, a floresta diminuindo, pessoas ficando doentes por causa do calor e da poluição. TUDO ISSO MEXE COM A GENTE! Mexe tanto que alguns de nós desenhamos o que sentimos: árvores grandes coloridas, crianças brincando sob o sol, rios azuis, passarinhos voando, casas cercadas de plantas, florestas pegando fogo, placas dizendo “CUIDE DA NATUREZA”.

 Leitura que comoveu todos e todas que estavam na tenda de encerramento da Cúpula dos Povos. A Ministrado Meio Ambiente, Marina Silva, agradeceu às crianças pelo clamor à responsabilidade mundial. E, em seguida, leu a carta que o presidente Lula enviou para este momento. Alguns dos trechos salienta a necessidade do envolvimento de todas e todos na reversão da crise climática. “A COP30 não seria viável sem a participação de vocês. Mudar nossa relação com o planeta é uma tarefa urgente. No mundo que desejamos, a devastação ceda lugar ao desenvolvimento sustentável. Queremos um mundo em paz, mais solidário e menos desigual, livre da pobreza, da fome e da crise climática. O combate da mudança do clima precisa da mobilização e contribuição de toda a sociedade e não só dos governos. O entusiasmo e o engajamento de vocês são contagiantes. Vocês são portadores da força e da legitimidade dos que almejam um mundo melhor”.

Após o término da Cúpula dos Povos, diversos organismos nacionais e internacionais se manifestaram frente às discussões que não avançavam na Zona Azul a favor do cuidado com a Casa Comum e preservação da vida no planeta. Mesmo diante deste cenário, houve encontros nas praças públicas de confraternização e chamamento à resistência, unidade, perseverança, espiritualidade ecoteológica e muita vida para os movimentos sociais nacionais e internacionais; fechando com shows de artistas da terra e muita dança popular.

Carta das Infâncias COP30: https://cupuladospovoscop30.org/carta-das-infancias-na-cupula-dos-povos-2025/

Carta do presidente Lula – Encerramento Cúpula dos Povos/25: https://www.gov.br/mma/pt-br/noticias/em-encerramento-da-cupula-dos-povos-lula-afirma-que-cop30-nao-seria-viavel-sem-a-participacao-social

 Miriam de Souza – Missionária Leiga em missão com as Irmãs de Jesus Bom Pastor – Pastorinhas em Adrianópolis/PR.

Irmã Lusineide Cardoso de Melo, sjbp

Membro da equipe de comunicação da Província Pe. Tiago Alberione, com sede em São Paulo-SP.

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