Área Restrita

Desaparecidmento no Vale do Ribeira

Data 15/06/2011 | - Hora 22:57
Postado por EAACONE
5 comentário(s) ...

LIDERANÇA QUILOMBOLA DESAPARECE MISTERIOSAMENTE
QUILOMBO PRAIA GRANDE – MUNICÍPIO DE IPORANGA
VALE DO RIBEIRA – ESTADO DE SÃO PAULO
 

Morte por causa de terra, no Brasil, não surpreende mais ninguém, porque desde antes de 1.500, esta é uma prática comum, assim como é comum que os culpados permaneçam impunes.

 
O que surpreende é que neste ano, mortes de camponeses e líderes têm ocupado com frequência a mídia.
 
No Vale do Ribeira, não está sendo diferente, embora seu caso não tenha alcançado a grande mídia, talvez até mesmo por causa da cobiça que ronda a região pela sua grande riqueza em biodiversidade e grande potencial turístico.
 
 
Acontece que no dia 18 de fevereiro deste ano, desapareceu misteriosamente, o SR. LAURINDO GOMES, liderança da COMUNIDADE REMANESCENTE DE QUILOMBO DE PRAIA GRANDE, Município de Iporanga, Estado de São Paulo.
 
No dia 18 de fevereiro, por volta das sete (07) horas da amanhã, Sr. Laurindo, que era também agente comunitário de saúde, dirigiu-se para as margens do Rio Ribeira de Iguape, onde tomaria o barco (único veículo para sair do Quilombo). Carregava um balde de mel, algumas abóboras e uma mochila.
 
Foi visto pela última vez por sua ex-esposa se dirigindo para o Rio. Ela escutou o ronco do motor do barco chegando, embora não tenha avistado o mesmo.
 
O Sr. Laurindo estava indo para uma reunião de lideranças na cidade de Iporanga, onde se organizavam para a noite ir à Câmara Municipal, requerer a instalação de uma CPI para investigar o Prefeito, pela sua inércia em relação às Políticas Públicas do Município.
 
O povo do Quilombo de Praia Grande pensava que ele estava na cidade. A família de seu segundo casamento, que estava na cidade, pensava (ACREDITAVA) que ele estava no Quilombo. Seu desaparecimento só foi percebido na quarta feira, dia 23/02, quando seu filho, LAZARO, que estava na cidade para a mesma reunião, foi para o Quilombo levando a noticia de que o mesmo não chegara na cidade e fora informado que não se encontrava no Quilombo.
 
A Comunidade passou a procurá-lo, encontrando apenas marcas de suas pegadas e de onde depositara os volumes que carregava, na areia do porto. No local, sobrou uma abóbora.
 
Na Delegacia de Iporanga foi registrado o Boletim de Ocorrência de desaparecimento, não havendo, porém nenhum esforço para encontrá-lo.
 
Não havia sido instaurado o inquérito e nenhuma investigação havia sido feita, apesar da família ter ido várias vezes na Delegacia e procurado o Ministério Público da Comarca.
 
No dia 05 de maio, o Ministério Público da Comarca foi procurado novamente. Só então solicitou à Delegacia de Iporanga, que fosse instaurado o Inquérito Policial.
 
 
Barco que atende a comunidade quilombola de Praia Grande
 
Os moradores do Quilombo encontram-se amedrontados e abandonados pelas autoridades competentes. Para sair do Quilombo, inclusive os alunos para frequentarem a escola, são transportados de barco, que está em péssimas condições. Enfrentam diversas corredeiras ao longo do percurso. A estrada, por ora, só chega até a fazenda do atual ocupante da cadeira de Prefeito, que fica próxima ao Quilombo.
 
O Quilombo de Praia Grande fica à margem (DIREITA) do Alto Ribeira, onde se localiza o eixo do projeto da barragem Funil. É uma comunidade reconhecida oficialmente como remanescente de quilombo, conforme o Relatório Técnico Científico, elaborado pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo.
 
Apesar de reconhecida e ter seu território delimitado, o Estado não promoveu nenhuma ação para a retirada de terceiros da área. Com tanta demora em efetivar a titularidade da comunidade, a credibilidade de que as terras, de fato, pertencem à comunidade foi-se minando, possibilitando compra e venda de terras, o que é proibido pela lei, bem como o aparecimento de “laranjas”, para resguardar políticos da região.
 
A dificuldade de acesso, a falta de políticas públicas e de assistência à comunidade, a não retirada dos não quilombolas do território, a falta de título de domínio da área, culminou com o desaparecimento do Sr, Laurindo Gomes, que sempre lutou pela titulação e melhoria da vida de sua comunidade.
 
A revolta é que o caso não está sendo investigado, apesar do CONDEPE – Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – ter oficiado o fato à Secretaria de Justiça, à Secretaria de Segurança Pública, à Secretaria Nacional de Direitos Humanos e ao Ministério Público Estadual.
 
Pedimos Investigação séria.
 
Pedimos Justiça!
 
Eldorado, 13 de junho de 2011
 
 
EAACONEEquipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras - Vale do Ribeira/SP
MOAB Movimento dos Ameaçados por Barragens - Vale do Ribeira/SP
Rua Leôncio Marques Freitas, 63 – Centro – 11.960-000 Eldorado/SP
Fone (13) 3871-1877
PROSA NA SERRA – IPORANGA
Rodovia Antonio Honorio da Silva, Km 158 – Bairro Serra/Iporanga CEP 18.3330-000
e-mail: prosanaserra@gmail.com – site: www.prosanaserra.pilarcultural.org
ASSOCIAÇÃO DE REMANESCENTES DE QUILOMBOLAS DO BAIRRO PRAIA GRANDE – MUNICÍPIO DE IPORANGA
ASSOCIAÇÃO DE REMANESCENTES DE QUILOMBOLAS DO BAIRRO PORTO VELHO - MUNICÍPIO DE IPORANGA
ASSOCIAÇÃO DE REMANESCENTES DE QUILOMBOLAS DO BAIRRO NHUNGUARA – MUNICÍPIO DE IPORANGA/ELDORADO
ASSOCIAÇÃO DE REMANESCENTES DE QUILOMBOLAS DO BAIRRO MARIA ROSA - MUNICÍPIO DE IPORANGA
ASSOCIAÇÃO DE REMANESCENTES DE QUILOMBOLAS DO BAIRRO PILÕES - MUNICÍPIO DE IPORANGA
ASSOCIAÇÃO DE REMANESCENTES DE QUILOMBOLAS DO BAIRRO PIRIRICA – MUNICIPIO DE IPORANGA
ASSOCIAÇÃO DE REMANESCENTES DE QUILOMBOLAS DO BAIRRO BOMBAS – MUNICIPIO DE IPORANGA
ASSOCIAÇÃO DE REMANESCENTES DE QUILOMBOLAS DO BAIRRO JURUMIRIM – MUNICIPIO DE IPORANGA
ASSOCIAÇÃO DAS COMUNIDADES CABOCLAS DO BAIRRO RIBEIRÃO DOS CAMARGO - MUNICÍPIO DE IPORANGA
ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO SERRA - MUNICÍPIO DE IPORANGA

 

 


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Artigo da Irmã Amélzia

Data 07/06/2011 | - Hora 21:47
Postado por Irmã Maria Sueli Berlanga
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Dizia Pe. Tiago Alberione: “A vossa missão nasce do amor...”

Foi esta frase que veio em minha cabeça quando li o artigo que Ana Cláudia Laurindo - Cientista Social, escreveu quando teve contato com a nossa Amélzia, (carinhosamente), a nossa “Branca”, através da biodança.

 

 
No texto a cientista relata a Amelzia explicando: . “A biodança tem por princípio a defesa da vida Seu sentido é biocêntrico! Quando o ser prioriza a vida busca relações saudáveis, amorização (...)“a biodança trabalha a partir dos elementos mais singelos, o amor, a natureza, o ar, a água. A vida é uma grande dança, fazemos no salão o que está no universo. Aqui é um laboratório de vivências para entrar em um sistema mais saudável.”
 

 

Ai, não teve jeito: o retrato que se pinta na memória é o do Bom Pastor: Eu vim para que todos tenham vida....” e já emenda com outra imagem de Alberione: “ficais atentas aos novos tempos....”.

Amelzia, parabéns pela grande descoberta de exercer a nossa missão de Pastorinhas, através da dança, fazendo o bem a tanta gente que está fora do âmbito de paróquia e de igreja. Não dá para não pensar em Jesus: “Há outras ovelhas que não estão neste aprisco”.

Devemos parabenizá-la também pelo livro “O desenvolvimento pessoal do educador através da Biodança” Ed. Edufal escolhido pelos próprios DEFICIENTES VISUAIS e publicado em braile pela Universidade de ALAGOA.

 
 


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Uma dança para a vida

Data 04/06/2011 | - Hora 16:52
Postado por Irmã Lusineide Cardoso de Melo
12 comentário(s) ...

Gostaríamos de partilhar com todas este artigo, publicado no site Repórter de Alagoas:

 

Texto: Ana Cláudia Laurindo - Cientista Social

O encontro com a mineira alagoanizada Amélzia, ou simplesmente Branca, foi repentino. Logo entrei na roda e já participava da vivência de biodança. Senti a retração que a ferida emocional ainda viva em meu peito, refletia em meus movimentos. Uma suposição de alívio despontou, mas já estava findando aquele momento. Passamos então a dialogar. Pesquisadora, Amelzia fez sua dissertação de mestrado sobre o “mal estar docente”, utilizando a vivência da biodança como alternativa de amortização dos sintomas. 

 

Hoje é doutoranda, na federal da Paraíba, na linha da Educação Popular, tendo como foco as éticas que a biodança tem favorecido a partir de sua vivência. “A biodança tem por princípio a defesa da vida. Seu sentido é biocêntrico! Quando o ser prioriza a vida busca relações saudáveis, amorização.” Por um instante essa fala direcionada soava como algo desconectado desse tempo, onde os ruídos e as intrigas prevalecem. No entanto, essa situação é o que lhe confere maior sentido!

“Essa prioridade da vida vem a partir da conexão afetiva. O criador Rolando Toro diz que fez uma conspiração pela vida!” Em comparativo com outras circunstâncias a conspiração pela morte parece espreitar cada um de nós. Vivemos inseguros, assustados. Mas ela continua: “a biodança trabalha a partir dos elementos mais singelos, o amor, a natureza, o ar, a água. A vida é uma grande dança, fazemos no salão o que está no universo. Aqui é um laboratório de vivências para entrar em um sistema mais saudável”.

Gera reflexão, pois sentimos a perda dos referenciais saudáveis agravada. Fico séria. Ela sorri. “Ainda é pouco conhecida na teoria. Na prática trabalha com movimento corporal e contato afetivo . As pessoas costumam ter preconceitos por causa da rigidez da cultura. O que mais queremos é o que mais tememos!”

 “Temos necessidade de contato para sermos mais saudáveis. E o retorno é ver as pessoas vivendo com mais alegria. Cuidando de si e das outras pessoas. Transformando suas vidas para serem elas mesmas, assumindo suas identidades.” Isso não é fácil para nenhum de nós, vou pensando, envolvida pelos meus próprios referenciais e reflexos das dores da vida.

Mas ela segue adiante afirmando que “cada pessoa tem que buscar alguma forma de ter uma vida mais saudável em meio ao caos. Com amor, fraternidade, cuidado com o meio em que está. Ter felicidade e prazer, apesar dos problemas. Biodança é buscar uma ordem no caos.” Assim encerra. Saio grata, desejando voltar e dançar aquela proposta de vida em meio a dor que também dilacera meu peito. Sem desistir de mim. Sem desistir dos outros. Seguir a dança da vida.

Fonte:
Texto publicado no site Repórter Alagoas em 19/05/2011


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